Sexta-feira, 10 de Agosto de 2007

Em Espanha...

Espanha: Tribunal imputa a governo e empresas acidente que vitimou portugueses em 2005

10 de Agosto de 2007, 12:48

Granada, Espanha, 10 Ago (Lusa) - Um juiz espanhol imputou hoje ao governo de Madrid e a duas empresas de construção responsabilidades no acidente de trabalho que em Novembro de 2005 vitimou seis trabalhadores, cinco deles portugueses, em Granada.

No auto de instrução, o juiz de Almuñécar (Granada) quer ouvir, pelo Ministério do Fomento, equivalente ao Ministério das Obras Públicas, o chefe de Demarcação de Estradas do Estado na Andaluzia Oriental e o engenheiro director do projecto de execução da obra onde ocorreu o acidente.

Determina ainda que sejam ouvidos representantes legais da União Temporal de Empresas (UTE) La Herradura - a quem foi adjudicada a construção do viaduto onde ocorreu o acidente -, o seu chefe de obras e o coordenador de segurança da obra.

Serão ainda ouvidos responsáveis da empresa sub-contratada Estructuras e Montajes de Prefabricados SL, o chefe de equipa, capataz e encarregado da obra.

Inquéritos realizados indicam que o acidente na obra da auto-estrada AP7 em Granada - que causou a morte a seis trabalhadores, cinco deles portugueses - se deveu à rotura de uma das peças do viaduto.

Os relatórios finais do Ministério do Fomento e do instituto Eduardo Torroja, que investigaram o acidente na A-7, próximo de Almuécar, foram remetidos em Março ao tribunal de instrução que analisou o processo e que deliberou as audições hoje conhecidas.

Fontes judiciais referem que os técnicos concordam na avaliação de que a queda de parte do viaduto em construção se deveu a problemas numa das peças de suporte, divergindo apenas no que consideram terem sido as causas desse problema.

Segundo o Fomento, a peça rompeu-se devido "fundamentalmente" ao "mau estado da soldagem", enquanto os peritos do Instituto Eduardo Torroja aludem a problemas com um dos parafusos, que "cedeu", enfraquecendo a peça afectada.

O acidente ocorreu na tarde de 07 de Novembro de 2005, quando parte do viaduto se abateu com vários trabalhadores na estrutura, tendo morrido cinco portugueses e um espanhol.

A obra tinha sido adjudicada à União Temporal de Empresas (UTE) La Herradura - formada pelas empresas Azvi, Obra Subterrâneas e Ploder - que subcontratou parte dos trabalhos à galega Estructuras y Montages de Prefabricados que, por sua vez delegou parte da obra na portuguesa Douro Montemuro.

Os cinco trabalhadores portugueses mortos tinham sido todos contratados pela Douro Montemuro.

Desconhece-se se o auto hoje divulgado obriga ainda a declarações de responsáveis desta empresa portuguesa.

ASP.

Lusa/Fim

A Voz do Proletário editou às 14:53
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